A disputa eleitoral entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as controvérsias em torno da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e as narrativas de soberania nacional impulsionadas pelas comemorações de 7 de Setembro marcaram as conversações no Instagram entre 7 e 14 de setembro. As discussões sobre a Independência do Brasil ampliaram referências à autonomia nacional, à interferência estrangeira e às tensões com os Estados Unidos, enquanto investigações envolvendo Flávio e decisões do ministro André Mendonça mobilizaram interpretações conflitantes sobre transparência e perseguição política.
Nesse ambiente, postagens, manifestações públicas e pesquisas contribuíram para apresentar a corrida presidencial como uma disputa cada vez mais concentrada entre Lula e Flávio. Diferentes levantamentos reproduzidos nas publicações apontam proximidade entre os dois, sobretudo nas simulações de segundo turno, enquanto os demais candidatos aparecem de forma secundária. Ao todo, foram processadas 36.234 postagens, que somaram 6.441.681 comentários, 41.768.706 curtidas e 956.838.576 visualizações, totalizando 1.005.048.963 interações.
Investigações entram na disputa eleitoral
Parte das publicações enfatiza a trajetória eleitoral de Flávio Bolsonaro, sua associação com o pai e ex-presidente Jair Bolsonaro e manifestações de apoio à candidatura. Outras exploram as investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse e sua suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O caso passa a integrar a disputa eleitoral e aparece em manifestações críticas a Flávio, sendo utilizado como elemento de questionamento de sua candidatura.
Em sentido oposto, conteúdos favoráveis ao candidato do PL apresentam as apurações como parte de uma suposta perseguição política. Nesse campo de discussão, também aparecem referências à controvérsia envolvendo o caso do Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF).
STF e André Mendonça
Nesse contexto, o ministro do STF André Mendonça aparece como figura central, tanto por autorizar investigações envolvendo Flávio Bolsonaro quanto por receber manifestações de apoio de perfis que se identificam com posições políticas do campo da direita.
Nesse campo de discussão, o STF, seus ministros e a Polícia Federal tornam-se objetos de interpretações políticas conflitantes. Conforme os diferentes grupos de usuários da rede, a atuação dessas instituições é associada a narrativas de transparência e investigação ou, em sentido oposto, a alegações de perseguição política.
Soberania nacional x interferência externa
O período analisado foi marcado pelas comemorações da Independência do Brasil, em 7 de setembro, e pelas repercussões das medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o país. Nesse contexto, ganharam espaço narrativas relacionadas à soberania nacional e à interferência estrangeira, principalmente por meio de referências ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao conceito de imperialismo norte-americano.
Termos como “soberania”, “interferência” e “influenciar” aparecem associados a discursos que enquadram a eleição como uma questão de autonomia nacional. As conversações também relacionam o processo eleitoral às tensões entre os governos brasileiro e norte-americano, além de discussões mais amplas sobre a atuação dos Estados Unidos e seus possíveis impactos sobre a democracia na América Latina.
Crise de confiança institucional
A análise também identificou uma articulação entre a disputa presidencial e uma crise de confiança nas instituições. Nesse contexto, Lula é apresentado tanto a partir de ações e resultados de seu governo quanto como principal contraponto a Flávio Bolsonaro. Outros candidatos à Presidência, como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), também aparecem em algumas publicações, sobretudo quando são abordados o cenário eleitoral, as pesquisas e as possíveis configurações de primeiro e segundo turnos.
Por fim, a rede de atores revela diferentes comunidades de circulação política. Os agrupamentos reúnem, em sua maioria, páginas de notícias, veículos independentes dedicados à cobertura do cenário eleitoral, perfis de candidatos, partidos políticos, apoiadores, influenciadores e outras comunidades digitais.

