O acompanhamento de decisões judiciais que interferem nas candidaturas e de conflitos envolvendo instituições políticas constitui uma das principais características da cobertura da jornalista Fabiana Tostes, na coluna De olho no Poder, do Folha Vitória. Das 35 publicações analisadas, 13 (37,1%) apresentam questões judiciais e institucionais como assunto predominante. Quando considerados também os temas secundários, esses assuntos aparecem em 15 matérias (42,9%). O levantamento identifica ainda a continuidade da cobertura de determinados acontecimentos, com a apresentação de seus desdobramentos e consequências políticas.
A análise reúne publicações realizadas entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, durante a campanha do primeiro turno. O trabalho foi desenvolvido pelo Laboratório de Internet e Ciência de Dados da Universidade Federal do Espírito Santo (Labic/Ufes), no âmbito do projeto IA para Democracia, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
O levantamento combina a classificação temática das matérias com uma rede de palavras organizada em quatro agrupamentos, permitindo identificar os assuntos recorrentes, suas conexões e características da cobertura jornalística.
Decisões e candidaturas
O acompanhamento de processos eleitorais envolve registros de candidatura, recursos judiciais e consequências das decisões para a composição das chapas. No agrupamento ciano da rede semântica, termos como “decisão”, “tribunal”, “justiça”, “registro”, “liminar” e “câmara” evidenciam as relações entre esses acontecimentos.
A situação de Gilvan da Federal (PL) exemplifica a continuidade da cobertura. Fabiana Tostes acompanha o indeferimento do registro de candidatura do deputado federal e sua posterior retirada da disputa, examinando as consequências para a chapa do partido.
Em “Liminar do TJES abre caminho para Armandinho salvar candidatura à Assembleia”, de 14 de setembro, a jornalista apresenta uma decisão que poderia modificar a situação eleitoral do vereador Armandinho Fontoura (PL). O acompanhamento de candidaturas contestadas também aparece nas matérias sobre Capitão Assumção (PL) e o delegado Romualdo Gianordoli Neto.
A disputa pelo governo do Espírito Santo também envolve questionamentos judiciais. A colunista examina ações apresentadas pelas campanhas de Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos), relacionando os embates jurídicos às estratégias eleitorais.
Conflitos institucionais
A cobertura se estende ao funcionamento das instituições municipais, especialmente às disputas pelo comando das câmaras de vereadores.
Na coluna publicada em 4 de setembro, intitulada “Governo do ES vai à Justiça contra Prefeitura de Vitória para garantir desfile de 7 de Setembro”, Fabiana Tostes apresenta uma controvérsia envolvendo a organização do evento e seus desdobramentos judiciais.
As eleições das mesas diretoras das câmaras de Vitória e Vila Velha também recebem atenção. Na matéria “Justiça manda Câmara de Vitória votar urgência para eleição da Mesa Diretora e pauta é travada”, de 21 de setembro, a jornalista examina uma determinação judicial e os procedimentos legislativos relacionados à escolha do comando da Casa.
Já em “Vereadores de Vila Velha mudam regimento e vão refazer eleição da Mesa Diretora”, de 25 de setembro, apresenta mudanças nas regras internas e os conflitos relacionados à votação. O assunto retorna em publicação posterior, quando a Câmara anula a eleição anterior e estabelece um novo pleito.
Esses episódios exemplificam o acompanhamento de acontecimentos que se desenvolvem em diferentes etapas, envolvendo decisões judiciais, medidas administrativas e articulações políticas.

Alianças e estratégias eleitorais
As articulações e a organização partidária constituem o assunto predominante de dez publicações (28,6%). Outras nove (25,7%) apresentam principalmente estratégias e posicionamentos dos candidatos.
O agrupamento amarelo da rede reúne palavras como “partido”, “deputado”, “federal”, “coligação”, “candidatura” e “PSD”, associadas à composição das chapas e às negociações entre lideranças. Entre os assuntos acompanhados estão a definição de suplentes ao Senado, mudanças nas alianças estaduais e divergências internas dos partidos.
A distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral entre candidatos do PT também recebe atenção, com informações oficiais de prestação de contas e declarações dos envolvidos.
O agrupamento lilás concentra referências às candidaturas estaduais, entrevistas e estratégias de comunicação. Termos como “Ricardo”, “Pazolini”, “Helder”, “Casagrande”, “senado”, “segurança” e “debate” compõem esse núcleo. A conexão entre “Ricardo” e “Pazolini” é a mais forte da rede de palavras.
Em “O que os candidatos ao governo mostraram no 1º programa de TV”, de 28 de agosto, Fabiana Tostes analisa as estratégias utilizadas na apresentação inicial das candidaturas no horário eleitoral. A jornalista também examina entrevistas e debates, considerando propostas, alianças e posicionamentos políticos.
Um agrupamento verde, de menor dimensão, reúne referências a “redes” e “sociais”, relacionadas à circulação digital de manifestações políticas.
Propostas e dados públicos
Duas publicações (5,7%) apresentam propostas e políticas públicas como assunto predominante. Entretanto, a classificação complementar identifica discussões substantivas sobre medidas, legislação ou compromissos de gestão em 11 matérias (31,4%).
Um dos exemplos é a análise das propostas dos candidatos ao governo destinadas à população idosa. Fabiana Tostes utiliza informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para contextualizar o envelhecimento da população capixaba e examinar os compromissos apresentados nos programas eleitorais.
Segundo os dados utilizados na publicação, a população com 60 anos ou mais no Espírito Santo cresceu 73,1% entre 2010 e 2022. A partir desse cenário, a jornalista examina as medidas propostas pelos candidatos para atender às necessidades desse segmento.
A utilização de documentos oficiais também aparece nas matérias sobre financiamento de campanhas e decisões judiciais. O levantamento inclui, ainda, uma publicação sobre a ampliação da bancada feminina na Assembleia Legislativa, de quatro para seis deputadas eleitas, elevando a representação de 13,3% para 20% das cadeiras.
A análise das 35 publicações identifica uma cobertura que combina o acompanhamento das disputas eleitorais com seus desdobramentos judiciais e institucionais. Os resultados também evidenciam o uso de documentos, decisões oficiais e indicadores sociais na contextualização dos acontecimentos.
A classificação considera o assunto predominante de cada matéria, enquanto os temas secundários permitem reconhecer discussões relacionadas ao foco principal. Essa distinção amplia a compreensão da cobertura jornalística de Fabiana Tostes sem representar uma medida do espaço dedicado a cada assunto.


