A liderança em interações no Instagram coincidiu com a vitória nas urnas em 20 dos 21 estados com eleições para governador decididas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026. A correspondência de 95,2% foi identificada em levantamento do Laboratório de Internet e Ciência de Dados da Universidade Federal do Espírito Santo (Labic/Ufes), por meio do projeto IA para Democracia. A única exceção ocorreu no Ceará, onde Ciro Gomes (PSDB) liderou o engajamento, mas foi derrotado por Elmano de Freitas (PT).
Considerando as 27 unidades da Federação, a correspondência entre liderança digital e resultado eleitoral foi de 77,8%. A diferença aparece principalmente nos locais com segundo turno, onde apenas uma das seis unidades (16,7%) apresentou coincidência entre o candidato mais engajado e o mais votado em 4 de outubro. O contraste indica que a repercussão no Instagram acompanhou com maior frequência o desempenho dos vencedores das eleições já definidas.
O levantamento compara os resultados eleitorais com as interações acumuladas nas publicações dos candidatos a governador monitoradas pela Timeline, uma das seções do site pysa.com.br, que oferece aos usuários um serviço de acompanhamento da repercussão de candidaturas nas redes sociais.
O monitoramento começou em 16 de agosto de 2026. Nos gráficos, as interações foram acumuladas até 5 de outubro nas eleições inicialmente definidas no primeiro turno, enquanto as demais séries continuando recebendo atualizações.
Embora a correspondência seja expressiva, a repercussão digital não se traduz necessariamente em votos. No Amazonas, Roberto Cidade (União) liderou o ranking de interações, mas ficou de fora do segundo turno, que será disputado por Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL).
Os casos do Amazonas e do Ceará evidenciam os limites das métricas digitais para representar as preferências do eleitorado. Curtidas e comentários podem expressar tanto apoio quanto críticas, e o público do Instagram não constitui necessariamente uma amostra representativa dos eleitores. Além disso, o levantamento compara posições nos rankings, sem estabelecer uma relação direta entre o volume de interações e os percentuais de votação.
Liderança digital e vitória
A correspondência entre engajamento e vitória eleitoral ocorreu em diferentes regiões e entre candidatos de distintos partidos. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) liderou as interações e venceu no primeiro turno. O mesmo aconteceu com Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais, e Sergio Moro (PL), no Paraná.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) liderou o engajamento, seguido por Eduardo Paes (PSD). Inicialmente, os dois candidatos avançariam ao segundo turno, com 49,27% e 42,76% dos votos válidos, respectivamente. O cenário, porém, mudou em 10 de outubro, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmou a eleição de Ruas no primeiro turno, após a anulação de 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos), determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a retotalização, o candidato do PL alcançou 50,88% dos votos válidos, elevando de 19 para 20 o número de estados em que a liderança digital coincidiu com a vitória eleitoral.
No Nordeste, Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, Eduardo Braide (PSD), no Maranhão, e Rafael Fonteles (PT), no Piauí, também lideraram o ranking digital e conquistaram a vitória. A coincidência se repetiu em Goiás, com Daniel Vilela (MDB); Santa Catarina, com Jorginho Mello (PL); e Rio Grande do Sul, com Luciano Zucco (PL).
A tendência também foi observada no Norte, com Dr. Furlan (PSD), no Amapá, Dr. Daniel Santos (Podemos), no Pará, Marcos Rogério (PL), em Rondônia, e Arthur Henrique (PL), em Roraima. No Centro-Oeste, Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul, e Otaviano Pivetta (Republicanos), em Mato Grosso, também lideraram as interações e venceram nas urnas.
Os resultados indicam que a associação entre repercussão digital e desempenho eleitoral não ficou restrita a uma região ou campo político. Entretanto, a coincidência não significa que o engajamento tenha determinado a vitória. Reconhecimento público, alianças partidárias e exposição na mídia também podem favorecer a visibilidade nas redes e a conquista de votos.

Ceará contraria tendência
O Ceará foi a única exceção entre os estados com eleição definida no primeiro turno. Ciro Gomes (PSDB) acumulou mais interações no Instagram do que Elmano de Freitas (PT), mas o candidato petista venceu a disputa e se reelegeu governador.
A divergência mostra que conteúdos com grande repercussão não representam obrigatoriamente manifestações favoráveis. Declarações controversas, críticas e debates entre adversários também podem ampliar o engajamento, sem necessariamente resultar em maior apoio eleitoral.
Amazonas: diferença no engajamento
No Amazonas, Roberto Cidade (União) ocupou a primeira posição no ranking de interações, seguido por David Almeida e Omar Aziz. Entretanto, os classificados para o segundo turno foram Omar Aziz, com 40,63% dos votos, e Maria do Carmo, com 24,49%.
A diferença chama a atenção porque Maria do Carmo sequer aparece entre os três candidatos com maior volume de interações. No gráfico, ela é apresentada em uma quarta linha, permitindo a comparação com os concorrentes que permaneceram na disputa.
Segundo turno mantém disputa
Nas seis unidades da Federação com segundo turno, a correspondência entre liderança digital e eleitoral ocorreu apenas no Acre. Mailza Assis (PP) liderou as interações e recebeu 49,76% dos votos, enquanto Alan Rick (Republicanos) obteve 32,26%.
No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB) ocupou a primeira posição no Instagram, seguido por Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT). Entretanto, Pazolini liderou a votação com 49,65%, enquanto Ferraço recebeu 34,06%. Os dois primeiros colocados no monitoramento avançaram ao segundo turno, mas em ordem inversa à registrada nas urnas.
Situação semelhante ocorreu no Rio Grande do Norte, onde Cadu Xavier (PT) liderou as interações, mas ficou atrás de Allyson Bezerra (União) na votação. Allyson recebeu 36,94% dos votos, contra 36,16% do candidato petista.
A divergência também apareceu no Tocantins, onde Vicentinho Júnior (PSDB) liderou o engajamento, mas Professora Dorinha (União) recebeu mais votos, com 45,52% contra 43,94%. No Distrito Federal, Leandro Grass (PT) ocupou a primeira posição no Instagram, enquanto Celina Leão (PP) liderou nas urnas, com 49,93% ante 34,47%.
Cinco estados — Espírito Santo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Acre e Tocantins — e o Distrito Federal permanecem com eleições em segundo turno, marcado para 25 de outubro.

